Dois dias após a Lei Maria da Penha completar 20 anos, a Polícia Militar do Rio Grande do Norte prendeu preventivamente Marco Antônio Heredia Viveros em Natal. A prisão foi feita após pedido do Ministério Público do Ceará (MP-CE) por descumprimento de medidas protetivas de urgência concedidas em favor de Maria da Penha Maia Fernandes, sua ex-mulher, e das duas filhas do casal.
A decisão foi tomada no sábado (8) pelo juiz Cesar Morel Alcantara, durante o plantão judicial. A reportagem não localizou a defesa de Marco Antônio na noite deste domingo (9).
O pedido de prisão do MP-CE ocorreu após a veiculação de anúncios na TV Record informando que a emissora transmitiria uma entrevista com Marco Heredia sobre o caso envolvendo a tentativa de feminicídio da ativista. A ação viola uma das medidas cautelares expedidas pelo 1º Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Fortaleza em 2024.
Segundo o Ministério Público do Ceará, desde 2024 o investigado estava proibido de divulgar informações sobre o processo e de propagar o nome ou a imagem das vítimas em mídias sociais, aplicativos ou qualquer ambiente virtual. As chamadas veiculadas em uma emissora nacional anunciavam que Heredia concedeu entrevista ao veículo, com exibição prevista para domingo (9). Trechos da matéria e conteúdos promocionais estavam sendo divulgados em plataformas digitais e redes sociais, o que caracteriza o descumprimento da determinação judicial.
Na decisão, o juiz entendeu haver indícios suficientes da prática do crime de descumprimento de medidas protetivas de urgência, previsto no artigo 24-A da Lei Maria da Penha. O magistrado destacou que o investigado foi notificado das restrições impostas e das consequências jurídicas em caso de violação da medida.
A Justiça também determinou a retirada imediata do ar de conteúdos relacionados à entrevista e proibiu a veiculação da reportagem ou sua divulgação em quaisquer plataformas. Além disso, exige a preservação de todo o material ligado à produção, incluindo arquivos, registros de edição, contratos, comunicações internas e documentos correlatos, sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.
A reportagem busca contato com a TV Record sobre o caso.
