A produtora do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou que a produção já custou cerca de US$ 13 milhões, o equivalente a R$ 65,7 milhões. A informação foi dada por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp, em entrevista à Globonews nesta terça-feira, 19.
Segundo Karina, mais de 90% desse valor foi bancado por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso e é investigado por fraudes bilionárias. O senador Flávio Bolsonaro já admitiu ter recebido de Vorcaro mais de US$ 12 milhões (cerca de R$ 60,6 milhões) para patrocinar o filme.
Na semana passada, o site Intercept Brasil divulgou mensagens e áudios em que Flávio cobra dinheiro de Vorcaro para bancar a produção. Na entrevista, Karina disse que, após a prisão do banqueiro, a equipe precisou buscar novos investidores. Ela afirmou que Vorcaro atuou como intermediador de verba, e não como investidor direto.
Já Flávio Bolsonaro se refere a Vorcaro como investidor e patrocinador. Karina declarou que a GoUp recebeu os recursos do fundo Heavengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e administrado por aliados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.
A Polícia Federal investiga se o dinheiro repassado por Vorcaro estaria sendo usado para custear Eduardo, que vive nos EUA desde o início de 2025 e teve bens bloqueados pelo Supremo Tribunal Federal. Flávio nega que a verba tenha sido desviada para outros fins.
Antes da divulgação dos áudios, Flávio negava o financiamento de Vorcaro. Depois, passou a admitir os pagamentos, mas afirma que se trata de um patrocínio ou investimento, sem irregularidades. Segundo o Intercept Brasil e o Estadão, houve negociação para uma contribuição de US$ 24 milhões (R$ 121,2 milhões), valor que consta em documentos da investigação da PF sobre o caso Master.
Os valores do filme Dark Horse superam os orçamentos de produções brasileiras como “Ainda Estou Aqui” (R$ 45 milhões) e “O Agente Secreto” (R$ 28 milhões), ambos indicados ao Oscar.
