Oito em cada dez empresas no Brasil enfrentam dificuldades para contratar profissionais, um problema que se repete há cinco anos, de acordo com pesquisa da consultoria ManpowerGroup com 1.020 companhias.
Com a taxa de desemprego em mínimas históricas, sobram vagas no país. A empresa paranaense Solo Network, especializada em cibersegurança e inteligência artificial, busca profissionais para 21 vagas, com salários entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. As contratações na área comercial demoram de dois a três meses.
A diretora administrativa da Solo, Zenilda Zanardini, afirma que os profissionais qualificados já estão empregados. “Se tivéssemos mais vendedores, teríamos ainda mais entrada no mercado”, diz.
A dificuldade é maior para cargos de nível superior. A consultoria Robert Half calcula que a taxa de desocupação nesse grupo foi de 3,3% no primeiro trimestre do ano, quase metade da taxa geral de 6,1%. Líderes empresariais tratam o problema como crônico, que limita o crescimento dos negócios.
O Brasil é o quarto entre 42 países com maior intenção de contratação entre julho e setembro, segundo a ManpowerGroup. Dos 1.080 empregadores entrevistados no país, 52% pretendem ampliar as equipes.
No varejo, a rede mineira Verdemar tem 500 vagas abertas, cerca de 10% do total de 5,5 mil funcionários. Faltam operadores de caixa, atendentes, estoquistas e reposições. O diretor comercial Alexandre Poni afirma que os salários e benefícios oferecidos não são suficientes para atrair candidatos.
A Livraria Leitura, com 136 lojas, tem dificuldade para recrutar atendentes e assistentes. O número de candidatos por vaga caiu pela metade, segundo o sócio André Teles. A empresa passou a flexibilizar os perfis e contratar pessoas mais velhas.
Especialistas apontam que as vagas ociosas tendem a aumentar por conta de fatores como demografia, baixos salários em vagas formais e novas aspirações dos trabalhadores, como jornada flexível.
Fenômeno demográfico
No setor de petróleo, a falta de mão de obra também é grave. Segundo a Abespetro, um levantamento com 35 empresas identificou 40 mil vagas abertas em 2024. Em toda a cadeia, a estimativa é de 64 mil vagas.
Para Karen Cubas, da UNIBP, a escassez passa pela demografia. Profissionais mais velhos estão se aposentando em um momento de expansão acelerada de projetos offshore, acima da capacidade de reposição.
As empresas do setor buscam parcerias com o Sistema S e universidades para aproximar a capacitação das necessidades da indústria. A Firjan tem um programa para atualizar currículos e criar novas trilhas de formação no Rio de Janeiro, maior produtor de petróleo do país.
