Apoiadores do presidente Lula (PT) usaram a criatividade para compor looks no lançamento da candidatura do petista à reeleição, neste domingo (2), na Expo Center Norte, em São Paulo. O vermelho, cor predominante, dividiu espaço com estampas de oncinha, broches e colete de couro preto.
A jornalista Fernanda Estima, 57, dona de um brechó no centro de São Paulo, afirmou que é importante usar o melhor figurino para a luta política. Filiada ao PT desde 1989, ela usou o vermelho apenas em uma pulseira e destacou a bolsa com estampa de oncinhas. “Sou fanática por onças”, disse, enquanto usava um broche do animal prendendo uma gravata preta. Ela lamentou o estigma negativo em torno de quem veste estampas de onça, citando a vilã da novela das 21h, interpretada pela atriz Isabel Teixeira. Para a dona do brechó, a alusão aos felinos é uma forma de honrá-los. “Como o animal é feroz, representa bem esse momento político. Trouxe a onça para defender a candidatura do Lula com garras e dentes. Quando a gente se veste, é para a batalha”, disse Fernanda.
De vestido vermelho, Janaina Ferrato Elias, 42, dirigente do PT em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, fez questão de usar as cores do partido. “Não ligo muito para o look, só pensei em vir com uma roupa vermelha para mostrar claramente o meu pensamento político. É que a cor transmite uma mensagem”, afirmou. Já a produtora de eventos Karine Julia Fernandes Pedroso, 29, vestiu preto da cabeça aos pés, com camiseta de manga comprida e calça pantalona. “Eu me visto mais voltada para o social, é bem importante estar apresentável”, disse.
A assessora política Larissa Melo, 30, trajava um vestido vermelho frente única, com detalhe dourado na alça, e jaqueta preta com pedrarias. “Achei que estava muito arrumada, mas para ver meu presidente, precisava vir bem arrumada”, contou, rindo. Capixaba, ela viajou de Vitória para São Paulo na sexta-feira (31) para participar de um curso e acompanhar a convenção. A indecisão sobre o que vestir fez a mala ficar grande demais, e ela precisou desfazê-la no meio do aeroporto. “Tive de abrir a mala ali no meio e colocar tudo em saquinhos para carregar na mão”, contou.
As amigas Constance Salawe, 45, e Mariama Bintu Bah, 37, cofundadoras da União Africana Alkeebulan, também capricharam nas vestimentas. Camaronesa, Constance vive em São Paulo há dez anos e disse que quis representar suas raízes, porque Lula “sempre fez a diferença para os imigrantes”. “Precisamos representar o nosso continente. Ele sempre fala de África e precisa ver a nossa beleza”, contou, vestindo chapéu em formato de disco e colar dourado. Mariama, que viveu no Rio de Janeiro, usava turbante azul-turquesa e vestido dourado com estampas. “Cresci no Rio ouvindo que o povo preto só entrou na faculdade por causa do Lula. Ele é democrático e humanista. A gente quer mais Lula”, afirmou.
O funcionário público Wagner Augusto, 66, ex-metalúrgico, usou um colete preto de couro sobre uma camisa vermelha estampada com o rosto de Lula. Com anéis e pulseiras, o visual roqueiro foi uma analogia ao motoclube do qual faz parte e uma forma de mostrar que nem todos os amantes de motociclismo são bolsonaristas. “Quando a gente vai a um evento, escolhe ir uniformizado, a caráter. E eu sou de um motoclube”, afirmou Wagner, que acompanha eventos de Lula desde a década de 1980.
A agricultora Vera Lúcia Ferreira Leão, 52, vereadora de Rosana, cidade a 750 km da capital, explicou a escolha do vestido verde e casaco vermelho: “Verde é vida e vermelho é sangue”. O psicólogo Eduardo Lucena Rocha, 41, vestiu um chapéu Panamá vermelho e uma bandeira do PT, em homenagem ao novo adorno do presidente, que incorporou o chapéu ao guarda-roupa no início do ano.
O programador Alexandre Magalhães, 32, usou casaco vermelho, mas optou por uma camiseta simples, sem alusões ao partido, por receio de sofrer violência política no trajeto da Vila Mariana, zona sul de São Paulo, até a Expo Center Norte. “Não queria andar com uma camisa vermelha em lugares onde não sabia se estaria seguro, então não vim com a camisa do PT, mas escolhi um casaco que, apesar de vermelho, é mais neutro. Comprei ele pensando na esquerda”, contou. Ele também usava um boné do PT, ganho de amigos no diretório do partido no bairro, antes de pegar uma van fretada para a convenção. A fotógrafa e design Sthefanny Capelos, 29, vestiu um macacão preto e branco pela praticidade e usava adesivos discretos de apoio a Lula na roupa. Ela disse apoiar o presidente pela defesa das políticas públicas.
