Conforme uma investigação da Polícia Federal (PF), um policial militar posicionado no 5º BPM (Gamboa), que passou oito anos em serviço para o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), é acusado de vazar operações policiais e informações de processos judiciais para o Comando Vermelho. O relatório que contém as acusações foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no final de janeiro, incriminando o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar, por supostamente repassar informações para a facção criminosa. O relatório aponta que Luciano da Costa Ramos Junior, o policial em questão, mantinha contato frequente com Gabriel Dias Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, um dos líderes do CV, atualmente detido em Bangu 1, na parte oeste do Rio.
A investigação da PF detalha que “(Luciano) usava sua posição no TJRJ para fornecer ao Índio informações sobre o avanço dos processos contra membros do Comando Vermelho”. A investigação encontrou conversas que datam de maio de 2025, nas quais Luciano orientava Índio sobre processos e possíveis ações contra ele e seus cúmplices, inclusive com a transmissão de fotos de documentos elaborados no programa de edição de texto Word”.
A dinâmica apontada pelo relatório continuou até a véspera da Operação Zargun, em 2 de setembro de 2025. Essa operação, realizada pela PF em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Rio (MPRJ) e a Polícia Civil, visava investigar a relação de agentes públicos com o Comando Vermelho. Na ação, mais de 15 pessoas foram presas, incluindo o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, também conhecido como TH Jóias. Ele é acusado de intermediar a compra e a venda de drogas, armas e equipamentos antidrones para o Complexo do Alemão, além de ter indicado a esposa do Índio do Lixão para um cargo parlamentar.
Na véspera da operação, Luciano e Índio trocaram duas chamadas pelo WhatsApp às 22h52 e 22h53, nas quais discutiram, entre outras coisas, se haveria uma operação no dia seguinte. Após a negativa de Luciano, Índio buscou informações com TH Jóias, que confirmou a ação para o dia seguinte. Segundo a PF, na audiência de custódia resultante dos mandados de prisão preventiva emitidos contra ambos, TH Jóias confessou ao Índio que sua fonte de informação havia sido Rodrigo Bacellar, o então presidente da Alerj.
Em 8 de dezembro de 2025, Luciano foi alvo da Operação Tredo, resultando na prisão de policiais militares acusados de fornecer informações para o Comando Vermelho. Já Rodrigo Bacellar, o deputado estadual afastado, foi preso cinco dias antes, na Operação Unha e Carne, sob suspeita de ter repassado informações a TH Jóias sobre a operação que levaria à prisão dele.
De acordo com a Corregedoria da Corporação, Luciano permanece preso e um Processo Administrativo Disciplinar está em curso. Em resposta a questionamentos sobre a conduta de Luciano, o TJRJ esclarece que, no momento da prisão de Luciano na Operação Tredo, ele já não prestava mais serviços na segurança do 2º Tribunal de Júri. Segundo o TJRJ, quando ele visitava o local, ele estava sempre uniformizado e não tinha acesso a qualquer ato administrativo ou jurisdicional.
As acusações contra Luciano da Costa Ramos Junior estão documentadas no relatório final da PF que detalha as conexões entre esses indivíduos e as investigações sobre crimes cometidos por Rodrigo Bacellar, Macário Judice, desembargador do TRF-2, e TH Jóias, entre outros alvos de investigação. A defesa de Luciano e Bacellar contesta as acusações.
