O ministro do STF, Flávio Dino, questionou na semana passada como ninguém percebeu as irregularidades do Banco Master. Especialistas apontam que Vorcaro e seus aliados se aproveitaram de um sistema que favorece a omissão.
A fraude bancária do Master é considerada a mais custosa da história do país, com prejuízos estimados em R$ 60 bilhões. Esse valor supera as perdas de crises bancárias dos últimos 20 anos e também os danos apurados pela Lava Jato, que ficaram entre R$ 29 bilhões e R$ 42 bilhões.
O advogado José Andrés Lopes da Costa, especialista em regulação bancária, afirma que a omissão contaminou as estruturas de regulação e fiscalização. Ele vê duas leituras para o caso. A primeira é a do escândalo, com falhas individuais. A segunda é a de que os sistemas não incentivam a reação, fazendo com que cada agente prefira não ver.
Exemplos dessa dinâmica surgiram no próprio caso Master. Em 2024, três gestores da Caixa Asset foram afastados após redigirem um relatório contra a compra de títulos do banco. Em 2025, na CVM, o então presidente João Pedro Nascimento renunciou após votar contra empresas ligadas ao Master. O interino Otto Lobo reverteu o voto e foi indicado por Lula para a presidência da autarquia.
O economista Marcos Lisboa aponta o risco de sanções como um incentivo à letargia. Servidores que tentam agir preventivamente podem ser processados ou questionados pelo TCU. O próprio TCU questionou o Banco Central sobre a liquidação do Master, apurando possível “precipitação”.
Lisboa também cita a responsabilidade solidária no mercado financeiro. Segundo ele, corretoras são responsáveis pelos produtos que oferecem e deveriam alertar investidores. Os balanços do Master já mostravam riscos, como a concentração em ativos de baixa liquidez e a dependência de recursos de partes relacionadas.
O economista Roberto Teixeira da Costa afirma que a fragilidade do Master era visível. CDBs com taxas muito altas já eram um alerta. Ele defende a recalibragem do FGC, que cobre até R$ 250 mil por CPF, para que os investidores avaliem melhor os riscos.
O advogado Guilherme France, da Transparência Internacional, destaca a presença de altas autoridades na rede de influência de Vorcaro como um diferencial da fraude. Essa rede, que inclui representantes nos três Poderes, serve para intimidar e dificultar investigações.
